Onde está o bom negócio para as gráficas?
Um dos lugares comuns dos argumentos de venda para os sistemas informatizados de gestão é exatamente a existência de um sem número de relatórios que, no entender dos fazedores de sistema, dão ao gestor a possibilidade de decidir o que é errado e trilhar o caminho certo para corrigir os erros etc, etc etc.... Mais ainda, alguns sistemas deram aos relatórios uma interface gráfica que, segundo os mesmos fazedores, facilita ainda mais aquela missão. Na verdade, o que se quer com esses argumentos é levar o interlocutor à conclusão de que bastam relatórios, com ou sem gráficos, para resolverem todos os problemas de gestão da empresa gráfica. Nada mais falso!
False ou True?
A construção dos sistemas informatizados se dá sempre respondendo ao binômio: “false” ou “true”, em inglês. As cabeças do construtor, do analista e do programador situam-se nos estreitos limites dessa proposição. É comum os sistemas responderem a muitas necessidades do empresário tais como cadastramento centralizado, lista de processos e suas operações, ferramentas de planejamento, entre outros. Mas os sistemas não respondem à formulação: “onde está o bom negócio?” Essa proposição continua sendo privilégio do talento individual e da sabedoria intuitiva que nenhum sistema do presente, e quiçá do futuro, pode responder. Dessa constatação singela é possível responder à pergunta para que servem os relatórios?. Eles servem para alimentar o arsenal de possibilidades de um empresário na condução de seus negócios. Secundariamente emprestam aos gestores intermediários informações que podem ser bem ou mal usadas, livremente.
Imaginemos que uma pessoa recebesse em sua casa, diariamente 1.000 revistas com os mais diversos tipos de informação sobre negócio gráfico. De que lhe serviria esta enxurrada de informações? Em primeiro lugar ele não conseguiria ler todas elas, todos os dias. Se, supostamente, conseguisse o que faria com elas? Que orientação poderiam lhe proporcionar?
Como talento é talento, existe, se burila, não se cria, discutir o papel dos relatórios na gestão fica resumido à segunda conclusão; a de prestar informações para serem usadas livremente pelos gestores intermediários.
A orientação versus a informação pela informação.
Imaginemos, porém, que esse afortunado receptor de informações esteja diante de um dilema, em sua gráfica, para decidir que direção tomar num determinado negócio. Que, para esse problema, ele tivesse construído algumas hipóteses de encaminhamento. Recebendo as 1.000 revistas diariamente ele poderia selecionar entre todas as publicações as informações que tivessem mais aderência com as suas hipóteses e, aí sim, se instrumentalizar para a solução dos mesmos. O sucesso ou fracasso do empreendimento seria conseqüência da hipótese, boa ou má. Do diagnóstico preciso ou impreciso. Da condução correta ou incorreta. Só parte a ver com informação!!
Resumindo, os sistemas produzem dita enxurrada de informações que, em tese, suportam as atividades dos gestores. Porém, se não houver uma orientação clara na condução do negócio estas informações são absolutamente desnecessárias, viram um joguinho de videogame, segundo o diretor de conceituada gráfica paulistana.
Mas, o bom negócio, a boa solução está na boa cabeça, no talento, na pré-disposição do bom negociante, do gestor competente.
Autor: Luiz Gonzaga d'Avila Filho