Geração E muda o foco

O mercado gráfico assiste a substituição das antigas gerações de fundadores pela geração E. O empresário-vendedor está sendo substituído  pelo empresário-gerenciador.  A nova geração valoriza a gestão, se preocupa com motivação e defende a seriedade no negócio.

Era uma vez um vendedor

“Era vendedor e hoje é esse empresário ...” . “Era impressor de offset e hoje tem uma gráfica desse tamanho!”. Quem nunca ouviu uma afirmação dessas aí ? Elas revelam a origem de muitas das gráficas familiares ou para-familiares que têm grande representatividade no conjunto das empresas brasileiras desse setor.

Depois de mais de um século desde que a Impressa Nacional foi fundada por D. João VI pode-se dizer que o segmento está chegando à sua terceira geração de gestores. Com a aceleração da industrialização nos anos 50 o mercado gráfico foi ampliado com empreendedores de vários matizes, empresários-vendedores, para em seguida ser povoado por técnicos e outros vendedores egressos das primeiras gráficas e finalmente pelos sucessores – filhos ou familiares.

Foram aqueles a geração A. Os sucessores são a geração E.

O mundo e o mercado cresceram e a concorrência ....  também

O mundo cresceu. Há quem veja nisso sinais de globalização. Talvez nem tanto. Menos. Mas o modo de produção em poucas décadas transformou-se até chegar às portas da impressão digital. Entretanto qualquer processo de produção tem hoje grande influência da informática.

Assim foi que o domínio das técnicas de impressão e a propriedade dos meios de produção se generalizaram de tal forma que, afirma-se, qualquer um pode ter uma gráfica. Nada mais irreal. Poucos podem e só os mais capazes sobrevivem. Mas um fato é notório: a concorrência cresceu e muito.

Como na luta pela sobrevivência também aqui só os mais fortes prosseguem.  A hora e a vez da geração E, cada vez mais forte

O lutador de boxe, grogue, encurralado no corner fechando sua guarda para não levar o golpe de misericórdia está na situação do empresário que luta desesperadamente para manter viva sua empresa em meio ao crescimento das despesas ou diminuição da receita ou as duas coisas ao mesmo tempo.

Aqui tem vez e pode ser chamada a geração E. Ela estará voltada para a operação racional da gráfica. Seu trabalho pode ser resumido como o de acrescentar margem ao produto reduzindo desperdícios e perdas e melhorando a produtividade. As informações são de vital importância para ela.

A ação da geração E corresponde ao contra-ataque do boxeador encurralado. Tem sido usada cada vez com mais freqüência pela geração A. E, na maioria dos casos, com sucesso!

O que é mais importante, vender ou organizar?

Vender, ganhar dinheiro, fazer negócio as grandes especialidades da geração A , continuam tão importantes quanto antes só que agora dividem o “tablado” com a organização racional, tecnicamente orientada para o aumento da produtividade e redução de custos. Juntas  A e E  podem sair do corner e virar o jogo.

O novo modo de produção exige reformas

A impressora é acertada por conexão remota. O impressor opera um computador para ajustar tinta e registro. O administrativo vive no seu terminal de computador ligado em rede com o mundo. Essa é a gráfica moderna. Mas se o acerto da impressora não se faz através de arquivos na reimpressão, se o ajustar a tinta e o registro independe da pré-impressão e se o gestor usa seu terminal como máquina de escrever ou calcular essa não é uma gráfica moderna.

O novo modo de produção depende umbilicalmente dos programas e computadores, exige conhecimento, capacitação e treinamento.

O domínio da TI é fundamental! O papel do RH também. Nenhuma empresa se moderniza distribuindo computadores para seus funcionários. Ela se moderniza distribuindo conhecimento. Essa vem sendo a missão da geração E.

Autor: Luiz Gonzaga d'Avila Filho